Inflação de bobagens
A inflação perdeu fôlego nas últimas duas semanas de junho e nas duas primeiras de julho. Segundo o IPCA-15, divulgado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta dos preços ficou abaixo das expectativas do mercado. Vou dormir mais tranqüilo: o fantasma da hiperinflação vinha me tirando o sono.
Quanto mais eu via os telejornais, piores os meus tormentos. Na segunda, dia 7, fiquei sabendo que a inflação para os pobres era a maior desde 2004. Gelei. No dia 11, descobri que sua principal vítima são os mais velhos. Assim já é perseguição, pensei.
Mas um golpe ainda mais duro veio na noite seguinte. Foi a vez da volta das maquininhas para remarcar preço e seu sinistro barulho. Até me imaginei em uma banca, cercado de revistas, todas com o dragão da inflação na capa. Aliás, todo mundo sabe que o leão do imposto de renda foi criação da DPZ, mas quem terá sido o primeiro ilustrador a usar um dragão para retratar a inflação? Se cobrasse royalties pela invenção, teria ficado rico.
A essa altura a discussão entre os economistas para saber se a inflação é de custos ou de demanda já havia relançada. Entre os anos 70 e 80, essa briga foi feia. Muita tinta se gastou, enquanto a inflação disparava.
Apesar dos sustos, continuei na frente da tevê e não me arrependi. Foi muito instrutivo ouvir os conselhos dados pelos especialistas entrevistados.
“A inflação continua numa trajetória de alta. Então, a decisão de parcelar uma compra precisa ser muito bem medida e de preferência em poucas parcelas”, afirmou um economista do IBMEC.
Um professor da Fundação Dom Cabral, ensinou, por sua vez, como manter o equilíbrio do orçamento. Basta apenas fazer uma planilha com os valores do salário e das contas da casa, mês a mês, incluindo despesas com lazer. Aí, é só estabelecer limites para cada gasto.
Faltou, é claro, combinar com o salário e com as contas, mas como o IBMEC e a Dom Cabral formam os grandes talentos do nosso mundo corporativo, vou seguir as recomendações à risca.
Depois do novo IPCA, achei que a poeira ia baixar. Que nada. Agora, descobriram inflação entre os embutidos da feijoada. Dessa vez não me abalei. Vou continuar com minhas alfaces e rúculas. E trocar os telejornais por A Favorita.


