Dercy, garota-propaganda
Dercy Gonçalves – que morreu no último dia 19, aos 101 anos – brilhou nos palcos, na televisão e um dia também nas telas, mas nunca teve grandes chances na publicidade. Que anunciante iria associar sua marca a um personagem que era símbolo da irreverência? O tempo provou que estavam errados e podem ter deixado passar boas oportunidades. O deboche de Dercy tinha carisma.
Nos últimos tempos a fama obtida em uma carreira de mais de sete décadas rendeu contratos para a atriz. Nascida só um ano depois que o homem voou pela primeira vez, com o 14-Bis, Dercy virou arma de vendas da moderna tecnologia: apareceu em campanhas de dois provedores de internet. Em 2000, envolveu-se em uma polêmica. Teve um comercial retirado do ar por decisão do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) – e não por ferir os bons costumes. No filme, criado pela Propeg, ela reclamava da qualidade e do preço do celular e acabava jogando fora o seu aparelho. O cliente era a Telemar, que na época operava apenas com telefonia fixa. O pessoal do que então se chamava banda B chiou.
Outra campanha que deu o que falar, ainda em 2000, foi para a Duloren, fabricante de lingerie. Depois da crise provocada por um incêndio que destruíra grande parte da fábrica, em 1997, e de uma disputa societária, só encerrada dois anos depois, quando Roni Argalji adquiriu a totalidade de suas ações, a empresa investia em comerciais polêmicos para reforçar sua posição no mercado e ninguém melhor para isso do que Dercy.
Aos 93 anos, ela voltava a escandalizar com um anúncio que acabou citado até em tese de doutorado em ciências sociais (Marcas da diferença da propaganda brasileira), defendida por Iara Beleli na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas):
“A definição da `super-avó, cujo único interesse são os netos´, é implodida na campanha da Du Loren, que surpreende o mercado de lingerie ao utilizar a imagem de Dercy Gonçalves – famosa na mídia pela sua irreverência e pelas formas de suas pernas aos 80 anos –ajoelhada na cama, vestindo um body vermelho. `Só prazer´, no detalhe da peça, estende a `sedução´ a clichês diferenciados, atravessando fronteiras morais que, recorrentemente, evocam a imagem do ´velho` em cenários de contemplação”, disse Beleli.
Um de seus últimos trabalhos, no final de 2007, foi a campanha criada pela Dtech Publicidade para o Centro Auditivo Telex, especializado em serviços e venda de aparelhos auditivos, com 64 lojas em 20 estados. Merecia um registro no Guiness: não há notícia de outra “garota”-propaganda em ação aos 100 anos de idade.
Mas foi com o comercial “170 Milhões de Técnicos”, da Carillo Pastore para o Guaraná Antarctica, veiculado pouco antes da Copa do Mundo de 2002, que Dercy levou para a publicidade o seu estilo inconfundível. É sempre divertido rever:




ficou otimo. bjo
blogblander
Julho 24, 2008
Adorei tio!
Gostei da escolha do layout, bem minimalista.
E pra “variar”, um texto maravilhoso!
Estou até vendo que sempre vou esperar por um novo post.
Beijinhos
Mika
Julho 25, 2008
Viva Dercy!
Mais pai, continua.
beijos
Anônimo
Julho 25, 2008